Maio Coopé conta-nos: "...no meu país, sobretudo nas zonas suburbanas, antes das
crianças irem dormir, há uma reunião junto dos mais velhos, ao redor da fogueira,
contam-se histórias e há sempre uma pessoa para cantar, trata-se de um costume da
Guiné-Bissau e que esteve sempre bem próximo de mim". E foi nesta atmosfera que
Maio Coopé, cantor, músico e compositor, encontrou brechas para se transformar
em nome importante na música da Guiné-Bissau. Um país formado por mais de 43
etnias e com grande diversidade cultural, Guiné-Bissau é o caldeirão que Maio vem
bebendo desde pequeno.

Filho de pais também músicos, ele começou a cantar em festas tradicionais. Com
a independência da Guiné-Bissau (1974) e a consequente efervescência cultural,
as portas para a exibição de suas potencialidades ficaram abertas. No início,
Maio Coopé procurou sempre estar bem próximo da música tradicional, trabalhando
a sua voz junto à percussão e com repertório de canções populares. Em Setembro
de 1975, venceu o Festival de Mandjuandadi para músicas tradicionais cantadas
em Crioulo. O cantor construiu uma carreira que evolui a cada ano.

Cedo Maio tornou-se conhecido na Guiné-Bissau e na Europa, onde realizou vários
espectáculos. Entre outros momentos memoráveis, Maio apresentou-se na União
Soviética em 1977 e durante a década 80, ele fez espectáculos em
Amesterdão (Tropenmuseum), Roterdão (Paradiso) e Estocolmo (Tropicana).

Com os Gumbezarte -- um grupo fundado em 1981-82, Maio juntou-se a tantos
outros talentos musicais da Guiné-Bissau nomeadamente Miguelinho Simba, o
falecido Narciso, Fernando Fafé, Sanhá, entre outros. Gumbezarte conseguiu
trabalhar o seu reportório depois de uma extensa pesquisa sobre a cultura musical
das várias etnias da Guiné-Bissau com a ajuda do Canadiano Silvam Panatom,
com quem registou as suas canções.


 

Maio Coopé foi vencedor de vários festivais na Guiné-Bissau durante os anos 80:
1984 Festival Descoberta de Novos Talentos
1985 Festival de Mandjuandadi (Música Tradicional)
1986 Festival de No Pintcha (Música Moderna)
1988 Festival Djitu Tem Cu Tem (Temos que arranjar jeito)

E ainda durante a década de 80 fez várias digressões nacionais pelo interior do país: Bafatá, Gabú, Bissorá , Sonaco, Pirada, Boé, Farim, Mansoa, Cacheu, Cachungo, Buba, Catio, etc.

Nos anos 90 faz também apresentações na Alemanha (Berlim) durante o Festival Lusomania, onde se apresentaram também Chico Science, Nação Zumbi e Margareth Menezes.

Grava e lança o disco "Camba Mar" (1987) com o seu grupo Gumbezarte através da editora Lusafrica. A sua música que fala sobre do seu país e dos opressores colonizadores revela-se um sucesso e Maio passou a ser apontado pela crítica internacional como um dos melhores artistas a surgir em Bissau.

Maio inicia uma extensa tournée pela Europa (1997-1998), por vários festivais conceituados como La Villete (França), Sfinks (Bélgica), Rambout Festival e Nordezem na Holanda, Expo 98, etc.

O projecto Djumbai Jazz surge em 1999 pela mão de Maio Coopé. Um projecto formado por 4 pessoas, aprofundado no som típico e acústico para um espectáculo íntimo e alegre.

Em 2000 é convidado para a feira/festival de músicas do mundo "Strictly Mundial" em Zaragoza (Espanha), onde a música "Pelelé" é seleccionada para participar na compilação do Fórum Europeu de Festivais de World Music. Curiosamente, Maio concebeu e desenhou a capa do mesmo disco. Para quem não sabe, Maio Coopé é um artista gráfico de grande porte.

Maio Coopé (nome artístico que adoptou e cuja origem, exemplo do afiado sentido de humor guineense, se prende com o facto de ter estado muito ligado durante anos à comunidade de cooperantes europeus em Bissau) é oficialmente conhecido por Mário da Silva. Ele é um artista polifacetado, cujo talento se tem revelado também no domínio das artes plásticas (desenho e pintura) como na dança ou mesmo no cinema.

A verdade, no entanto, é que a qualidade e originalidade do seu traço pictórico nada ficam a dever à forte expressão artística e identitária da sua música, à empatia que os seus concertos despertam no público e nos seus colegas de palco.Segundo ele mesmo diz, pinta "desde sempre". É um autodidacta, mas na juventude, aprendeu muito com o mestre Carlos Barros, o popular Carbar, pintor guineense de prestígio.

Maio frequentou várias oficinas de pintura no Centro Cultural Francês de Bissau, na década de 80. Durante anos, trabalhou também como desenhador técnico em ateliers de arquitectura. Hoje, algumas das suas criações podem ser vistas tanto na Internet como na cidade de Bissau. Por exemplo, as saborosas e expressivas imagens que decoram o mais autêntico lugar de encontro de músicos e boémios da cidade, o popular Mansa Flema (título, também, de uma das mais conhecidas canções de Maio Coopé) é da sua autoria.

Maio expôs várias vezes os seus trabalhos na Guiné-Bissau, em Portugal (onde reside há mais de uma década), e também no Mali, no Senegal e no Burkina Faso.

 

 

 

 

 

 


 

Em 2004 volta ao Brasil com o seu grupo acústico Djumbai Jazz no âmbito do projecto "Na Ponta da Língua" onde actua em várias cidades do Estado de Minas Gerais. Maio tem ido ao Brasil quase anualmente onde dispõe de uma grande audiência africana e brasileira.

Ao longo da sua dinamica carreira, Maio Coopé tem colaborado com vários artistas Lusófonos para além de ter gravado com vários artistas de Cabo-Verde na compilação "Ayan" da editora Praia Records.

ELEMENTOS DE DJUMBAI JAZZ:
Maio Coopé
- Voz Principal
Sadjo - Guitarra Acústica & Ritmo
Galissa - Kora
Mateus - Baixo Eléctrico
Djabaté - Guitarra Solo
Cabum - Percussão
Tony - Bateria
Ana Cabi - Dançarina
Miriam Cabi - Dançarina
 

Fonte: http://www.myspace.com/djumbaijazz
Redacção: Umaro Djau (gumbe.com)