Sempre que oiço falar da Orquestra Super Mama Djombo, dá-me sempre a vontade de utilizar o velho cliché: “apertem o vosso sinto de segurança” e estejam prontos para mais uma viagem “musical” agradável e refrescante.
Depois de muitos anos de espera, chegou-me a novidade. E como sendo agradável, queria compartilha-la com todos os amantes das músicas da Guiné-Bissau. E ela veio em forma de um e-mail e até pareceu-me um presente do Natal. E as palavras de Juca Delgado começaram assim:
“Olá Umaro, espero que estejas bem. Estou na Islândia gravando com o Mama Djombo, desde o início do mês. Vim produzir o disco com o Zé Manel e o Atchutchi. Foi muito bom voltar a trabalhar com o Mama Djombo. Gravamos 11 temas. Vieram 4 cantores: Dulce Neves, Karina Gomes* (uma grande voz e grande talento), Binham um outro jovem de talento e o Tino Trimó.”
Aquando da recepção deste e-mail, o grupo já tinha misturado oito (8) temas e estavam “a gravar num estúdio analógico, tudo para recriar um som mais próximo daquilo que o Super Mama Djombo criou nos anos 70 e 80. Para mim está a ser fascinante trabalhar outra vez num sistema, em que comecei a trabalhar como produtor.”
Como se sabe, ultimamente não se grava no sistema analógico por ser mais dispendioso e exigir mais rigor nas captações e nas misturas. Este sistema antigo oferece menos pistas em relação ao sistema digital que se usa actualmente pela grande maioria de produtores e estúdios, para não dizer todos.
Mesmo assim, o Juca diz-me que “ganhámos no som, pois o som analógico continua a ser o melhor para mim e para meio mundo.”
E na altura em que você estiver a ler este e-mail, eles já teriam terminado as misturas. Felizmente já terão terminado a captação de imagens para uns três videoclips.
Mais adiante, lê-se no e-mail, “desde que se começaram as misturas temos estado no estúdio só o Atchutchi, Miguelinho N’Simba, Zé Manel e eu (Juca Delgado)... O disco está a ser misturado pelos engenheiros de som o conceituado Ken Thomas (Inglês) e o Islandês Birgir Jon Birgisson.”
A partir desse dia, também estaria no estúdio sempre a acompanhar as misturas, um dos produtores promissores da Guiné-Bissau o Ivan Barbosa.
Juca Delgado despede-se prometendo mais informações sobre o assunto.
Para quem não sabe, o país conhecido por “Iceland”, nome que significa literalmente "terra do gelo," situa-se no extremo norte do Oceano Atlântico, nos limites do círculo polar árctico. A Islândia foi anexada à Noruega em 1262 e, posteriormente, à Dinamarca, quando esta dominou a Noruega em 1380. O país ficou ligado à Dinamarca até o século XX. Em 1918 ganha autonomia limitada e torna-se um Estado associado à Dinamarca.
Obrigado Juca
Parabéns ao Super Mama Djombo
Estamos à espera. A Guiné-Bissau já morria de saudades vossas!
Umaro Djau
Nota de Mussá Baldé, Jornalista guineense da Agência Lusa em Bissau:
*Karina Gomes é também Jornalista e Animadora de rádio. Ela é, seguramente, uma das mais talentosas mulheres deste país. Ela é detentora de uma voz fora do vulgar. Se continuar a cantar tem tudo para vir a ser a diva da música guineense.
Amigo Umaro, havias de ver o espectáculo que foi a 'despedida' dos Super Mama Djombo dias antes da partida deles para a Islândia. Que concerto fabuloso eles deram no Centro Cultural Português! Os Super Mama Djombo honram o nome da GB.