SALVADOR 'TCHANDO' EMBALÓ é oriundo da Guiné-Bissau,
um pequeno país africano da costa ocidental. Pertencente à
tribo Fula, Tchando cresceu na cidade Bafatá.
Consequentemente, as tradições da etnia Mandinga deixaram
uma marca significativa na vida do artista, resultando daí
as características de Tchando que reflectem as fusões destas
duas grandes culturas e tradições.

Ainda como criança, Tchando aprendeu a tocar muitos
instrumentos tradicionais da etnia Fula. Cedo (1965) mudou
para a capital Bissau, onde continuou a sua jornada da
aprendizagem musical. Em Bissau, o jovem Tchando aprendeu
a tocar a guitarra de "seis cordas" que ele acabou por
transformar no seu principal instrumento. Aconteceu no bairro
de Gan-Biafada onde vivia Tchando, cujos residentes eram
maioritariamente das etnias Mandinga e Beafada. E foi esse
ambiente que lhe proporcionara a aprendizagem dos
instrumentos tais como o "Cutil N'Dium" e o tambor "Cutil Ba".

Os interesses de Tchando não se limitavam apenas à música. Tchando foi sempre um grande apoiante da justiça. Ele esteve sempre atento às constantes violações dos direitos humanos no seu país de origem, a Guiné-Bissau, desde os primeiros anos da sua independência. O seu posicionamento contra a injustiça social e a política de então, foi tido como uma afronta às autoridades governamentais da época. Como consequência, Tchando foi aprisionado durante dois longos e sombrios anos, 1977-1979, acusado da traição à Pátria. Valeu-lhe a intervenção da Amnistia Internacional, para que as autoridades guineenses finalmente considerassem o seu julgamento num Tribunal Militar Superior, ao lado de outros companheiros da mesma causa. O julgamento só teve lugar vinte meses depois da sua detenção. Condenado a quatro anos de prisão, Tchando foi libertado imediatamente após o julgamento, por já ter cumprido a metade da pena e por tido um bom comportamento durante esse período.

Em 1982, Tchando emigrou-se para Portugal onde começou a sua carreira profissional. Nas terras lusas, Tchando participou em vários projectos, tendo feito gravações com o cantor guineense Fernando de Carvalho e participado no grupo Issabary, que aliás, ele próprio fundou e baptizou.

E por três anos (1985-1988), Tchando trabalhou como músico em Paris, tendo tocado com uma data de artistas, entre eles o guineense Kaba Mané, com quem gravou e produziu dois álbuns e fez excursões pela Europa inteira. Tchando resolveu estabelecer-se na Dinamarca em 1988. Desde então o artista fez parte de diversos agrupamentos na sua qualidade de cantor e guitarrista, assim como arranjador e compositor para demais artistas.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No groupo "Bliss", Tchando contribuiu não só como letrista mas também como um dos seus cantores principais, juntamente com a sueca Alexandra Hamnede e com a inglesa Sphie Barker do grupo "Zero 7" (convidada para o álbum "Quiet Letters").

Muitas canções do "Bliss" foram utilizadas pelas várias estações de Televisões tanto na Dinamarca como nos Estados Unidos. Por exemplo, em 2005, a DR1 (Danmarks Radio - a principal estação televisiva do país) escolheu uma das canções do grupo "Bliss" escrita por Tchando "Quiet Letters" para um documentário que contou com a entrevista de dez dirigentes políticos cujas decisões mudaram o curso da história. Entre eles, Desmond Tutu, Madeleine Albright, Lech Walesa, Daniel Ortega, Moammar Kadhafi, entre outros. Este documentário foi visto em mais de vinte e cinco países. Nos EUA, o canal da TV CBS utilizou vários títulos escritos e co-escritos por Tchando para a conhecida série de crime "CSI" e assim como nas séries "Black Donnellys".

Em 2007 Tchando participou nas gravações como co-escritor, co-arranjador e cantor da canção "Good" para o álbum-sucesso da cantora liberiana-alemã de "soul", Pat Appleton.

Em 2008 a canção "Kissing" também co-escrita por Tchando para o grupo "Bliss" fez parte do "soundtrack" do filme "Sex and the City".

Décadas depois de ter nascido a paixão pela música, Tchando está prestes a lançar o álbum "Ba" (o Mar, na língua Mandinga), que será, sem dúvidas, uma das suas melhores obras discográficas -- uma verdadeira redescoberta da cultura Afro-Mandinga e Fula.



Fontes:
SALVADOR 'TCHANDO' EMBALÓ
http://www.myspace.com/tchando
http://www.tchando.com/
Redacção & Edição: Umaro Djau (gumbe.com)

Nos anos de 1992, 1995 e 2005, Tchando teve a oportunidade de trabalhar como compositor musical do agrupamento teatral dinamarquês, em estreita colaboração com o seu Director e Escritor.

Em Novembro de 1992, Tchando lançou o seu primeiro álbum a solo "Naton" (Hóspede) que acabou por colocar o cantor no mapa europeu do chamado World Music Charts. Logo a seguir, duas canções desse álbum "Kambés" e "Ussak N'dja" foram seleccionadas para as compilações Afro-latinas tais como "Afrolusamerica" (Tropical Music, Alemanha), e "Big Noise" da editora RykoDisc, EUA.

No começo de 1994, Tchando decidiu regressar às suas raízes, às culturas Fula e Mandinga. Graças a um fundo estabelecido pela associação dos compositores dinamarqueses (DJBFA), Tchando viajou por seis meses à Guiné-Bissau, para uma profunda pesquisa musical, sobretudo no seu aspecto traditional.

Dois anos mais tarde, em 1996, durante um dos maiores festivais do mundo, "Imagens da África" na Dinamarca, Tchando foi um dos convidados especiais, tendo actuado ao lado de Manu Dibango, Angelique Kidjo, Lokua Kanza, Seta Touré e do legendário Hugh Masekela.

Em Outubro de 2000, K.G.Rush fez um remix da música "MansaYa", transformando-a no "Powerplay of the Week" na maior estação de rádio dinamarquesa, a DR-P3. Ainda no ano 2000 Tchando integrou o grupo chamado "Bliss", com o qual gravou dois álbuns: "After life" (2001) e "Quiet Letters" (2005).

Tchando durante
uma sessão no estúdio

"Tchando"