Zé Manel durante a entrega do prémio de "Just Plain Folks Music Awards"

                                              Nome incontornável da música contemporânea da Guiné-                                              Bissau, cantor multifacetado e autor de grandes êxitos,
                                              Manel
é um dos mais célebres e influentes músicos
                                              guineenses.

                                                          Aos 7 anos da idade, Zé Manel tornou-se baterista e
                                      guitarrista de viola acústica e, consequentemente, a maior
                                      atracção da Orquestra Super Mama Djombo que durante os
                                      anos 70 desempenhou um papel importante na luta de
                                      libertação desta antiga colónia portuguesa.

                                                          Em 1982, Zé lançou o seu primeiro álbum a solo intitulado
                                       “
Tustumunhos di Aonti” emitindo um grito de alerta sobre a
                                       situação política e a formação duma classe dirigente repressiva na Guiné-Bissau. Num contexto político em grande fermentação, o álbum acabou por ser um grande acontecimento nacional.

Como resultado, muitos sinais de intimidação começaram a se recair sobre o artista e, em consequência disso, Zé teve que abandonar o país, rumando inicialmente para o Portugal, depois para a França e acabou por-se radicar finalmente nos E.U.A.

O primeiro álbum produzido nos E.U.A, denominado “Maron di Mar” [2001] da Editora Cobiana Records, foi um sucesso imediato. Mereceu críticas entusiásticas tanto dos media europeus como americanos e foi nomeado para o melhor álbum no certame “All African Kora Music Awards” na África do Sul e para o melhor álbum no “Just Plain Folks Music Awards” nos E.U.A.

Em 2004 Zé Manel regressa com um novo álbum “African Citizen” (Cidadão africano), produzido pela Editora M10. A música que dá título ao álbum, embora fale de cidadania africana, transmite uma mensagem mais global. apela à unidade africana, à paz e à estabilidade em todos os continentes. A mensagem é transmitida através de uma encantadora voz tenor, acompanhado pela sua guitarra acústica e percussão.

Neste último lançamento, o seu talento único e inovador expande-se além fronteiras da música tradicional e contemporânea da Guiné-Bissau, criando um novo estilo musical ainda que urbano, mas profundamente marcado pelas raízes da sua terra natal.

No mesmo ano, 2004, o CD “African Citizen” foi galardoado com dois prémios: o melhor álbum e a melhor canção do ano na categoria de música africana. O evento foi organizado pelo “Just Plain Folks Music”.

Esta organização que em vez de ter patrocínio corporativo, agrega autores, compositores, artistas, produtores musicais, editoras discográficas e outras pessoas ligadas à indústria discográfica. Durante a cerimónia de entrega dos prémios, que decorreu em Los Angeles, Zé Manel fez uma espectacular apresentação da canção vencedora “Voz do Sangue” acompanhado da sua banda.

Em Crioulo, Português, Inglês e Francês Zé Manel entoa versos tão melódicos e apelativos com um ritmo igualmente contagiante e dançável, cantando o amor e saudade da família, os amigos, a mulher, a compaixão pelas crianças e a justiça social. E de uma forma comovente, Zé descreve a devastação resultante da pobreza, da prostituição, do SIDA e da ditadura que constituem o maior entrave ao desenvolvimento de um povo, no ponto de vista do músico, cantor, compositor e poeta.

Manel tem sempre afirmado de que enfrentou o desafio de unir culturas preservando a sua própria cultura: “Eu respeito a riqueza da nossa música tradicional, mas quero fazer mais progressos, através do intercâmbio com outras culturas.”

O álbum “African Citizen” foi gravado nos Estados Unidos com artistas convidados dos mais variados cantos do mundo e o trabalho reflecte o sonho de uma fusão cultural: um mundo, um povo e muitas vozes.

Dois anos mais tarde chega o 1 de Agosto de 2006, quando Zé Manel abrinda-nos com mais trabalho inconfundível, “Povo Adormecido”.

Para quem já ouviu o álbum pode notar a variedade das letras que estão em Inglês, Francês, Português e Crioulo, a língua “mista” da Guiné-Bissau, falada por todas as etnias. “Povo Adormecido” (My People Are Asleep) contém uma série de "batidas" africanas.

Isto porque o CD é uma homenagem ao espírito indomável do povo Africano e um desafio a todos, para que ultrapassem as suas limitações, quando confrontados com inúmeras dificuldades.

Algumas canções visam, numa linguagem universal, enviar uma mensagem de paz para todos os povos do mundo.

Outras músicas, algumas delas escritas em colaboração com o professor e poeta Uco Monteiro, o Jornalista Tony Tcheka e o Engenheiro informático senegalês Pierre H. Sagna, retratam a demagogia dos polícias, o sofrimento dos que, no estrangeiro sentem saudades do seu país natal e a desumanidade dos ditadores africanos.

Por Umaro Djau (gumbe.com) & http://www.zemanel.com